Falta de engenheiros pode ameaçar crescimento do País

Lisandra Paraguassú
da Agência Estado
 
A situação fica ainda mais complicada quando se consideram os níveis de pós-graduação (mestrado e doutorado). Dados da Andifes mostram que apenas um em cada 30 mil estudantes da educação básica chega a fazer um doutorado na área. O crescimento brasileiro pode estar ameaçado por algo além da atual crise financeira norte-americana: a falta de engenheiros formados no País. Dados apresentados pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) mostram que, de cada 800 estudantes matriculados no ensino fundamental, apenas um opta por se formar em Engenharia. Apenas 0,02% dos estudantes brasileiros da educação básica chegam a fazer um doutorado na área, considerada essencial em todos os países que pretendem investir em infra-estrutura, tecnologia e indústria de ponta.

No Brasil, apenas 5,6% de todos os formandos no ano de 2006 haviam escolhido se graduar em algum curso das áreas de Engenharia - que, no País, ainda inclui Arquitetura e Urbanismo. Na Coréia do Sul, são 26% de todos os formandos. No Japão, 19,7%. Mesmo o México, país em desenvolvimento com indicadores semelhantes aos brasileiros, hoje tem 14,3% de seus formandos nessa área.

"É um desafio que temos transformar o conhecimento em produtos e processos, e isso passa por resolver essas assimetrias de áreas", afirmou o reitor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, José Ivonildo do Rego, durante reunião da Andifes com a ministra da Casa Civil, Dilma Roussef. "Os esforços feitos até agora foram incapazes de mudar essa realidade".
 
Quando se olham os níveis de pós-graduação - mestrado e doutorado -, a situação fica ainda mais complicada. Os dados da Andifes mostram que apenas um em cada 30 mil estudantes da educação básica chega a fazer um doutorado na área. Em 2007, formaram-se 1.178 doutores e 4.144 mestres, ainda longe da meta estabelecida pelo Plano Nacional de Pós-Graduação 2005-2010. Nesse documento, formulado em 2004, a intenção era que se chegasse, nos dois
anos seguintes, a formar 2.619 engenheiros doutores por ano no País.

"Ser engenheiro nesse País na década de 1990 era quase ser condenado ao desemprego. Mas o País está crescendo e voltou a ser importante a formação de engenheiros", disse a ministra Dilma, afirmando ainda que as universidades brasileiras precisam "cumprir seu papel", desenvolver pesquisa e formar cientistas. "Se deixarmos para as forças do mercado, a Petrobras vai comprar plataformas na Coréia e em Cingapura. Não é isso que queremos".

*NÚMEROS*

*5,6% *apenas de todos os formandos no ano de 2006, no Brasil, haviam escolhido se graduar em algum curso das áreas de Engenharia (incluindo Arquitetura e Urbanismo)

*26% *de todos os formandos na Coréia do Sul são das áreas de Engenharia

*19,7%* é o índice verificado no Japão

*14,3%* é o percentual registrado no México, país em desenvolvimento com indicadores semelhantes aos brasileiros